A minha vida num Psi...

Agosto 27 2009

Ontem sonhei com a minha bisavó Albertina!

Tinha menos de 8 anos quando ainda entrava em sua casa e ela me sorria. Sorria com toda a sua boca sem dentes, com a sua carinha redondinha e pequena, com uns olhos pouco abertos e com umas bochechas bastante salientes, como se não me tivesse visto a semana passada, como se não tivessemos feito nas semanas anteriores a mesma coisa que iríamos fazer nesse mesmo dia. Era sempre um prazer para ela ver-me! E não era só a mim... mas também era a mim!

Como sempre sentada na sala de visitas ao fundo a ver a rua da janela.

Comprimentava-a, "Olá avó, como estás?", ela sorria sem conseguir falar e esse movimento dizia-me que estava bem. Levantava-me e ia ao fundo do corredor, em frente da janela que dava para a rua, e ia à cozinha cumprimentar a tia Santa (Santa Brava dizia-se, de tão agitada que era. Imagino a ansiedade que a tia em criança sentia, e que a bisavó não tinha capacidade de controlar, para ser cognominada de Brava!).

Lá na cozinha estava o copo dos dentes e eu perguntava-me sempre porque não os colocavam à avó Albertina para ela poder falar! Era pequena demais para saber o que era uma afasia.

Mas lá voltava a fazer o corredor e e aí sim, sentava-me ao pé da avó e ali ficava o que julgo serem horas, também a olhar para a janela. O que mais me impressiona é o facto de, após afastar a pequena cortina de renda e de olhar para aquele pequeno mundo que se abria, eu ficava horas quieta. Não era Brava, mas queita por mais de 10 minutos era muito!

Ela do lado esquerdo, eu do lado direito, cada uma segurando a cortina, e olhavamos a rua.

Foi com esta avó que eu descobri o maravilhoso mundo da janela. Ainda hoje posso passar horas a olhar através de uma janela que tenha vista para a rua.

Daquela janela abri o meu imaginário a histórias!

O cão que passa e pára! Está a ouvir um som ou a decidir se volta para trás?

O adolescente que corre apressado. Está atrasado para a bola ou para ir ter com os pais?

A velha com o seu andarilho que devagar passa por gente que não a cumprimenta. Já não tem ninguém ou já não reconhece ninguém?

A sra. com o seu andar bambuleante acompanhada do sr. com andar elegante. São marido e mulher ou dois amantes que se passeiam nas compras de sábado?

A rapariguinha com o seu olhar tímido. Procura que não se apercebam que já é mulher ou ainda não quer ser mulher?

O cão que mal deu dois passo voltou a parar. Afinal estava com vontade de urinar!

Levantava-me, ia até à cozinha e voltava a ir ver os dentes! Continuava intrigada!

 

Daquela janela tudo podiam eu imaginar! Da realidade nada sabia, nem queria saber, mas desta janela aprendi a construir histórias, aprendi que existem várias opções para a realidade que nos aparece em determinado momento.

Daquela janela aprendi a voar dentro de mim... e quanto mais voava mais quieta ficava!

 

Publicado por Larissa às 09:42

Agosto 26 2009

Falava com uma amiga sobre o tipo de escrita (em língua Portuguesa) que se utiliza nos blogs... quando... conversa puxa conversa estamos a trocar ideias sobre a capacidade pensar dos alunos universitários de hoje e professores universitários de hoje.

Fiquei a pensar e resolvi vir para aqui debater!

São os alunos que não sabem pensar? Ou são os professores que não os motivam/ensinam a pensar por eles mesmos?

São os alunos que não sabem pensar ou são os professores que não acham grande piada aos alunos já não pensarem como eles e, apenas (!), pensarem de maneira diferente deles (professores)?

São os alunos que não sabem pensar ou são os professores que, não sendo capazes de criar um novo paradigma, se irritam porque o pensamento dos alunos não corrobora o que os professores querem para as suas teses de doutoramento?

Também eu ensino! No outro dia... dava uma aula muito específica sobre saúde mental a profissionais que nada têm a ver com saúde mental. Logo de início apercebi-me que eles não me estavam a acompanhar... e resolvi mudar de estratégia... e resultou! Foram eles que não souberam acompanhar-me ou fui eu que não soube cativá-los? De certeza que fui eu! Em última análise a responsabilidade é sempre do professor. É sempre o professor que tem de se fazer respeitar e colocar foram da sala quem o desrespeita (quando isso é possível!).

Mas um professor que sabe cativar nem necessita de impor respeito porque um aluno motivado, cativado pelo que está a ser ensinado... não tem nem tempo para pensar em desrespeitar o professor! Poderá pensar em tentar provar que o professor está errado, mas mesmo assim está a pensar nos conteúdos das aulas! E garanto-vos que mais de metade dos alunos/profissionais tenta fazer isto, ou seja tenta provar que entre a teoria e a prática existe um fosso infindável! Como se fosse possível a prática existir sem a teoria! (Como se fosse possível comunicarmos sem primeiro sabermos que na teoria da linguagem o sujeito está associado ao verbo em qualquer língua do mundo!)

Em último caso é o professor do aluno, que supostamente não sabe pensar, que é responsável por o aluno perpetuar esse "não saber pensar". É que, se calhar, também o professor não sabe pensar!

Também eu tive resultados negativos para a minha tese de doutoramento.. mas isto apenas me forçará a pensar no porquê do negativo... afinal eu pretendo contribuir para um possível novo paradigma, ou não estaria a fazer uma tese de doutoramento! E isto pode e deve ser ensinado aos alunos! O negativo pode ser construtivo!

Afinal... em Portugal somos todos "The special ones"... os outros, e em particular os mais novos, são todos burros menos nós os "specials"?

Eu assumo-me como leiga! Erro por todos os poros do meu corpo. E sei tão pouco!

Ao colocar este post aqui sujeito-me a críticas muito próprias de quem se sentir ofendido ou quem se puder exprimir melhor do que eu.

Também eu sei pouco... mas com críticas vou poder evoluir no meu pensamento.

Permitam-me saber mais!

Publicado por Larissa às 11:26
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Agosto 13 2009

Ora ficámos sem mais um grande Sr. da comédia Portuguesa.

 

Talvez não fosse dos meus preferidos... possivelmente porque nunca soube entender o tipo de comédia que fazia... ou talvez porque verdadeiramente talvez eu não saiba rir.

É mais isto.... o que é certo é que eu ouvi vezes sem conta o "telefonema da guerra"... ainda hoje não sei porque o fazia se, quando era miúda, não sabia apreciar aquele humor... mas repetia o disco milhares de vezes. Ainda hoje sei quase de cor o texto!

 

Acho que tal como eu, muita gente não soube apreciar verdadeiramente aquilo que este artista fazia... nunca é tarde para reconhecer um talento!

Outros milhares foram sensíveis ao artista que, como o próprio dizia, não tratava o público como parvo, mas como um povo inteligente que sabe apreciar piadas simples e inteligentes (porque nem tudo o que é complexo é inteligente!). Fiquei muito sensiblizada por, secretamente as pessoas não terem deixado cair no esquecimento este artista. Fiquei a gostar mais da TV porque fizeram a aplaudiram com belos programas a vida deste artista, não deixando a sua obra cair no esquecimento.

Hoje reconheço-o como grande artista que era, com a promessa de vir a ouvir outros textos de Raul Solnado.

Hoje penso que vou novamente ouvir outros humoristas de reconhecimento mundial, mas que não me caem no goto... É que poderei estar a perder grandes espectáculos sem me aperceber disso, como aconteceu com o Raul Solnado!

 

Fica uma crónica com o mesmo artista. Antiga, mas muito característica do seu estilo pessoal... ou pelo menos é assim que eu sempre o vi actuar.

 

www.youtube.com/watch

 

Obrigada ao Raul Solnado.

Publicado por Larissa às 12:47

Agosto 03 2009

"De profundis"... traz-nos uma história em banda desenhada, mas não desenhada como o habitual.

Quem vai ver este filme pensa que perdeu uma das obras de Saramago. Mas não perdeu... "De profundis" abarca uma pequena metragem antes do filme propriamente dito... e é essa curta-metragem que se baseia numa obra de Saramago.

Fui ver por que gosto de Saramago, mas fiquei muito mais encantada com a longa-metragem do que com a curta.

A começar, toda a longa-metragem é desenhada em quadros... não é banda desenhada! É o movimento da câmara sobre a tela que marca a acção. Depois, pequenas alterações das telas marcam pequenas expressões faciais ou do meio ambiente em que decorre a trama. A repetição do mesmo em momentos diferentes não transtorna quem está encantado pela história.

A música, diga-se, é fantástica e quando vemos pequenos feixes de luzes, marcando notas musicais, sair da boca de um personagem... então percebemos porque seria necessário juntar poucas imagens a um momento músical tão bonito.

O violoncelo em imagem e em musicalidade lembra-nos que existe este instrumento musical menos marcante que outros mais ostensivos... mas que uma orquestra sem ele ficaria muito mais pobre.

Publicado por Larissa às 10:26

O modo como eu vejo o mundo... Tão condicionado como o de qualquer outra pessoa.
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