A minha vida num Psi...

Maio 31 2009

Ao abrir cada volume dos diários de Miguel Torga, das edições "Coimbra", tenho de rasgar folha a folha os limites superiores e ou laterais dessas páginas.

 

E lá vou rasgando!.... Lentamente, como se de uma álbum de recordações se tratasse.

 

As primeiras páginas estão impecavelmente separadas umas das outras. A cautela! Como se de uma preciosidade se tratasse! Não queria ferir Torga no que mais de precioso ele teria, afinal sempre o amei pela sua profissão... a de escritor! (Diário IV)

O cuidado!... Porque afinal eram as últimas edições da editora. E li cada palavra como se fossem as últimas da vida de Torga.

Optei por ir rasgando-as momento a momento. Como se ao rasgar fosse escrevendo o meu diário privado sobre o diário de Torga.

 

Há depois aquelas páginas que estão descuidas, imperfeitas...  porque eu queria mais e mais, e a frustração tolda-me o pensamento!

Outras cortei-as no avião para Estocolmo, e com elas vinha o inverno de alguns tormentos na vida de Torga... foi quando mais quis escrever aqui... O cuidado voltou!

Mas o verão seguinte aproximava-se e com ele Torga volta a apaixonar-se pela natureza e por todos os lugares por onde passava.

 

Voltei a rasgar violentamente! Como este homem teria tempo para num dia estar no Porto e no dia seguinte escrever de Bragança?

No final, no avião que me traria de regresso a Lisboa após uma semana de trabalho e de férias, voltei a submeter o livro à minha dissecação mais suave... aproximava-se o Outono e o Inverno!

 

Um dia vou reler estes volumes e ir-me -ei lembrar que cada dissecação representava um momento carregado de emoção... porque é este o cunho pessoal que gosto de dar!

Publicado por Larissa às 12:46

Maio 23 2009

Olhei para uma montra e vi os "Diários" de Miguel Torga à venda e comprei 10 volumes

Lembro-me de aos 12 anos ter lido "Os bichos" de Miguel Torga e do meu professor de Português

Lembro-me de a partir daí assaltar a biblioteca da minha casa lendo tudo o que me aparecia à frente

Lembro-me de ler todos os romances de cordel da minha tia-avó

Lembro-me de chorar com um "Amor de perdição" e de que fiquei para sempre uma romântica incurável

Lembro-me de dos diários de Miguel Torga e de todo o amor que ele tinha por tudo e de ele enfrentar o que mais lhe era desconfortável

Lembro-me de não ter percebido o que "Os Maias"  representavam

Lembro-me de ficar apaixonada pelo amor que Torga transmitia em seus livros

Lembro-me que desde então a beleza passou a ser o que mais me tocava os sentidos

Lembro-me de amar quem amo

Lembro-me de desejar quem desejo

Lembro-me que comecei este blog para um dia ficar com um diário escrito como Torga

Lembro-me que é imensamente difícil

Lembro-me de ontem ler...

"... a vida não tem sobra de interesse, concebida e vivida em termos de mentira e de conveniência... para que os seres e as coisas saibam claramente que a cada verdade corresponde um fruto, e a cada mentira uma desilusão..." (In Torga, Diário IV)

E que "É preciso fazer um esforço continuo para amar o presente" (In Torga, Diário IV)

Lembro-me que a editora Coimbra dá o seu último suspiro

Lembro-me que cada página que leio dos diários de Torga implica que eu rasgue folhas como se de uma dissecação se tratasse

É bom reler aquilo que mais gostei.

 

Publicado por Larissa às 21:43

Maio 10 2009

Quando a mente se enche de coisas que escolhemos para a nossa actividade profissional... a criatividade esconde-se numa tela branca onde o acto de projectar aquilo que mais queremos é... branco!

Branco é também a cor da morte nos países nipónicos (nunca confirmei.. até pode ser mito!), mas também é a cor da pomba da paz. Então o que pensar de um evento gigantesco denominado por algo como A Festa do Branco? É morte, é paz ou é simplesmente uma festa? Eu fico mesmo pela última! Cada cor, cada palavra distingue-se pelo seu sentido universal, mas também pelo conteúdo emocional com que a envolvemos.

 

Mas isto tudo a propósito do branco... além de festa é também uma paleta de imensas cores que se misturam e com as quais vou pintar as palavras que aqui vou escrevendo... Vou criando parcos conteúdos, mas vou criando! Não crio a partir da morte, porque não é a minha escolha, não a partir de paz porque a vida não o permite e porque a guerra das eleições se aproxima e nesta guerra eu entro com gosto! Mas depois, então sim fico em paz com a sensação de dever cumprido.

 

Mas no fundo deste devaneio escondo a cor preta, distinta e elegante, e com a qual pinto os olhos, e com os olhos encho esta tela branca de frases... mais e mais devaneios!

Acho que me vou deixar de devaneios e voltar a escrever coisas com nexo. Talvez deixando passar esta fase de imenso trabalho a capacidade volte.

Publicado por Larissa às 19:53

O modo como eu vejo o mundo... Tão condicionado como o de qualquer outra pessoa.
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