A minha vida num Psi...

Junho 03 2009

E leio e releio e apercebo-me que no tempo de Miguel Torga todos os advérbios de modo que fossem carregados numa sílaba eram acentuados... por exemplo "ràpidamente" escrevia-se com acento no primeiro "à". E que tipo de acento! Quatorze tinha origem na palavra quatro e escrevia-se "qua" e não "ca".

Fez-me imensa confusão pois eu aprendi há 20 anos que advérbios de modo não têm acento. Rapidamente na escrita dos anos em que vivo é sem acento!

Não é que antigamente se escrevesse mal, nada disso! Aliás, não há escritor português que não escreva impecavelmente. Mas a evolução da língua Portuguesa passa por mudanças que nas gerações futuras são naturais, mas que nas gerações anteriores são como atropelos à maravilhosa língua portuguesa.

 

E não será isto mesmo o que se estará a passar nos nossos dias com o novo acordo ortográfico?

Não me imagino a escrever "óptimo" sem o "p"... É um atropelo à língua.

Mas será mesmo um atropelo ou seremos nós que "orgulhosamente sós", como diria o nosso ditador da década de 40 a 60, nos recusamos a evoluir.

 

RRRRRRrrrrrrrrrr ...."facto" sem "c" antes do "t" é fato!

 

Mas em inglês "right" é direito e certo! E isto não me faz confusão. Pudera, não é a minha língua!... E eu sou Portuguesa e fui criada a pensar que o que é do estrangeiro não é bom, só o que é do meu Portugalzinho é que vale... A riqueza que a comunidade Brasileira ou Africana nos podem dar têm de ser subjugadas à intolerância Portuguesa.

 

Não sei! Só sei que daqui a 20 anos já ninguém se vai lembrar de nada disto, nem eu!

 

Contra a minha intolerância à mudança, agradeço a todos os portugueses, a todas as comunidades dos PALOP ou que falem o meu Português que fazem com que o Português não seja uma língua morta.

Publicado por Larissa às 16:10

Estou contigo... acho que este acordo ortográfico veio disvirtualizar completamente a lingua portuguesa. Não compreendo porque tivemos nós de alterar os nosso português para nos aproximar-mos dos brasileiro... Os exemplos que deste são muito bons... se eu vir escrito fato também não vou saber o que lá está escrito. Isto lembra-me um livro (brasileiro) de electronica da faculdade em que estava escrito "caminhão" até ao dia de hoje não sei se era um caminho grande ou um veiculo grande porque as duas palavras tinham lógica no contexto..
Brasileirices

Beijinho
FP
FilipeP a 3 de Junho de 2009 às 21:09

Olé Filipe,
Não devo ter sido clara... mas estava a ser irónica! O que eu quiz mesmo dizer é que todas estas mudanças na língua portuguesa são muito estranhas para mim, irrito-me com elas, mas que os especialistas dizem que a língua não é morta e tem de evoluir.
Eu que em nada sou especialista na matéria, até porque a a minha área é clínica e cientîfica, estranho porque sou leiga na especialidade.
Mas julgo que, como em tudo, primeiro estranha-se mas depois entranha-se.
Os nossos sábios e cientístas Portugueses das nossas Universidades dizem-nos que terá de haver mudança. Que é melhor para todos nós.
Aprendi a escrever Baptista com "p", mas hoje escrevo sem e já não me faz qualquer confusão.
Sei que história é uma palavra que ser para 3 conceitos, mas hoje.. História com "H" refere-se a História de Portugual, Estória com "E" refere-se a uma Estória da carochinha e que Istória com "I" refere-se a outro conceito (que confesso que não me lembro). Não é linda a evolução? Clarificar e não deixar que as palavras se atropelem umas às outras, deixando pouco espaço para duplos sentidos, mas abrindo espaço para a clareza do pensamento de quem partilha palavras.
Por outro lado as comunidades PALOP também nos ajudam a evoluir com outros termos novos.
A comunidade brasileira utiliza muito termos do português arcaico (quer dizer, de há 1 ou 2 séculos, no máximo) e que voltaram ao Português corrente.
Não achas tudo isto maravilhoso?
Toda esta interajuda cultural faz-me sentir que juntos de facto somos uma sociedade, não globalizante, mas antes inter-comunicante.
Pelo menos é esta a minha opinião.
Obrigada pela tua opinião,
um beijo
Lara
Larissa a 4 de Junho de 2009 às 10:54

Olá Lara.
Compreendo o que queres dizer. Mas eu de facto assumo que tenho alguma resistência a estas mudanças da lingua, especialmente porque existem muitas palafras que passam a ter dois sentidos. E isso não considero uma evolução positiva. Não é como quando se deixou de escrever "Pharmacia" e passou a "farmacia"... Enfim, pode ser só embirrice minha


Tem um bom dia
FP
FilipeP a 4 de Junho de 2009 às 12:06

O modo como eu vejo o mundo... Tão condicionado como o de qualquer outra pessoa.
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