A minha vida num Psi...

Maio 23 2009

Olhei para uma montra e vi os "Diários" de Miguel Torga à venda e comprei 10 volumes

Lembro-me de aos 12 anos ter lido "Os bichos" de Miguel Torga e do meu professor de Português

Lembro-me de a partir daí assaltar a biblioteca da minha casa lendo tudo o que me aparecia à frente

Lembro-me de ler todos os romances de cordel da minha tia-avó

Lembro-me de chorar com um "Amor de perdição" e de que fiquei para sempre uma romântica incurável

Lembro-me de dos diários de Miguel Torga e de todo o amor que ele tinha por tudo e de ele enfrentar o que mais lhe era desconfortável

Lembro-me de não ter percebido o que "Os Maias"  representavam

Lembro-me de ficar apaixonada pelo amor que Torga transmitia em seus livros

Lembro-me que desde então a beleza passou a ser o que mais me tocava os sentidos

Lembro-me de amar quem amo

Lembro-me de desejar quem desejo

Lembro-me que comecei este blog para um dia ficar com um diário escrito como Torga

Lembro-me que é imensamente difícil

Lembro-me de ontem ler...

"... a vida não tem sobra de interesse, concebida e vivida em termos de mentira e de conveniência... para que os seres e as coisas saibam claramente que a cada verdade corresponde um fruto, e a cada mentira uma desilusão..." (In Torga, Diário IV)

E que "É preciso fazer um esforço continuo para amar o presente" (In Torga, Diário IV)

Lembro-me que a editora Coimbra dá o seu último suspiro

Lembro-me que cada página que leio dos diários de Torga implica que eu rasgue folhas como se de uma dissecação se tratasse

É bom reler aquilo que mais gostei.

 

Publicado por Larissa às 21:43

O modo como eu vejo o mundo... Tão condicionado como o de qualquer outra pessoa.
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